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sexta-feira, 8 de junho de 2012

TESTEMUNHO - C0NCLUSÃO


CONCLUSÃO

            LONGA É A CAMINHADA


- O que é que tu dizes?! Que está acabando?! Saibas tu que agora é que vamos começar.

Meu Deus! É impressionante, durante vários dias pensando no assunto e de repente Deus utiliza um vaso que nada sabe e transmite mais uma vez, uma mensagem de meu conhecimento. Essas coisas sempre me impressionaram, durante vinte anos conversamos sem que ao menos eu precise abrir minha boca.

Minha esposa tinha um acordo comigo, de que ficaríamos sempre freqüentando a mesma igreja, para que toda a família permanece unida em um mesmo local de adoração, porém com o tempo ficamos realmente descontentes com a administração do Ministério a qual pertencíamos, a congregação onde freqüentei durante vinte e dois anos e minha esposa quarenta, praticamente toda minha curta vida espiritual e toda a sua vida envolvendo os dois aspectos, o material e o espiritual, pois ela nasceu e cresceu dentro dessa comunidade evangélica. A repercussão desse problema em minha vida espiritual era pequena porque com viagens e o constante derramar do espírito, meu vigor espiritual me permitia suportar melhor, mas em determinado momento percebi que espiritualmente ela estava definhando dentro de uma igreja onde não tinha mais prazer de adorar a Deus, por isso desfiz o acordo e liberei a família, para tomar outro rumo e frequentar à igreja que quisesse. Isto fez com que minha esposa fosse para a igreja Metodista Wesleyana com minha filha maior. Lá, rapidamente passou a fazer parte do ministério de louvor, e voltaram a louvar e adorar a Deus. Quanto às duas menores, passaram a freqüentar a Igreja Cristã Presbiteriana (Renovada), perto de casa, pois já conheciam e gostavam. Eu fiquei praticamente sem opção e diante de uma situação inusitada e não procurada.

Tomar aquela decisão livrou minha família de um desastre maior, porém me deixou chocado e um tanto perdido. Acostumamos com certas situações de vida e mudanças repentinas às vezes nos deixam um tanto embasbacados. Tentei congregar com minha esposa na Igreja metodista Wesleyana, mas não consegui me adequar. Minha esposa chegou a afirmar que eu era “assembleiano” demais para ficar em outro lugar, hoje acho até que ela tem razão, gosto da Assembléia de Deus por causa do estilo de sua doutrina voltada a salvação e transformação de almas para alcançar a vida eterna, sem desprezar o pacote de bênçãos que acompanha a salvação como curas divinas, batismo no Espírito Santo, prosperidade do cristão, expulsão de demônios e etc. O fato é que agora estava sem opção e busquei a Deus a procura de uma solução para meu impasse. A primeira resposta foi:

- Fique tranqüilo servo, que tudo está nas minhas mãos. Eu controlo todas as coisas.

Boa palavra aquela, pois fiquei tranqüilo, mas não por muito tempo, porque somos muito cobrados. Onde você está? Qual igreja freqüenta? Qual é seu ministério? São perguntas comuns em nosso cotidiano, levando a mensagem do Senhor de um lado para outro, e, logo estava clamando ao Senhor que apressasse em preparar o caminho a seguir.

Com o tempo diminuíram um pouco os convites, pois não prestava mais serviço na igreja local e a agenda agora cobria cerca de dois meses com algumas lacunas, tempo em que procurava me adequar a alguma comunidade. Essa circunstancia me levou a acreditar que meu serviço estivesse chegando ao fim e costumava dizer a mim mesmo: “Agora você vai se aposentar, comprar um terreno beira mar, ou quem sabe na beira da represa, fazer uma casinha, pescar, fazer serviços” free-lancer” para Jesus e...” Às vezes pensamos tanto em algo agradável que fazemos planos dentro daquela perspectiva, porém a bíblia diz que o homem faz seus planos, mas é Deus quem lhe dirige os passos, não demorou muito para que Deus fizesse a interferência dizendo as palavras que coloquei no início deste capítulo.

- Vamos começar tudo de novo e tenho muito para fazer. Até já preparei viagens longas para você, mas terás um sinal quando chegar a hora. Homem prepara-te, pois longa é a sua caminhada.

Em outros momentos já ouvira essa palavra que afirmava que minha caminhada seria muito longa, nunca entendi direito ao que o Senhor se refere, só sei que não vai ser nenhuma moleza, afinal de contas uma longa caminhada sempre é algo cansativo, mas começar de novo era algo incompreensível por inteiro. Como é possível começar de novo? Por onde começar de novo? A que Jesus estava se referindo? Alguma coisa nova se apresentava no horizonte. A bíblia diz que viveremos em novidade de vida, portanto alguma coisa nova já estava sendo preparada e de alguma forma iria começar de novo.

Algum tempo depois recebi um Pastor em minha casa. Era o Pastor Antonio Carlos da Igreja Evangélica de Deus Ministério do Belém e trazia uma proposta de começar uma igreja regional a partir de Caraguatatuba para alcançar todo o litoral norte do estado de São Paulo incluindo as cidades de Ubatuba, Ilha Bela e São Sebastião.

Acontece que houve uma separação de toda a Região do Vale do Paraíba e Litoral e a necessidade obrigava ao ministério abrir um trabalho recomeçando do zero. O Pastor Antonio Carlos havia sido incumbido de cobrir o nosso litoral e para isso iniciou a obra visando restaurar a igreja com os irmãos que não aceitavam a dissidência, em um curto espaço de tempo, e apresentou a proposta de que eu viesse a fazer parte deste recomeço, bem de encontro ao que havia sido profetizado para minha vida. Freqüentei durante algum tempo, ministrei a palavra algumas vezes, orei e fechei o negócio. Aceitei a empreitada. Iria participar desse recomeço.

Hoje, quando estou terminando estas linhas, em três meses de trabalho, o Pastor Antônio Carlos já várias igrejas na Ilha Bela, São Sebastião, Ubatuba e Caraguatatuba. O investimento de poder por parte de Deus nessa obra e facilmente perceptível e creio que novas portas se abrem para meu trabalho, porém concluo esse trabalho com uma nova incógnita em perspectiva. Deus cumpriu quase totalmente o desejo de meu pai, hoje sou servo, sou um homem de Deus. Minha vida trás em seu bojo um aprendizado diante do Senhor que pode servir de inspiração para que outras vidas conheçam esse Deus que é realmente maravilhoso. Mas quando imaginei que tudo estava acabando, que o momento final de tudo estava acontecendo, que a conclusão do acordo que fizemos a vinte e quatro anos atrás estava por terminar, Deus me propõe um recomeço, um princípio que não consigo imaginar onde vai parar, principalmente considerando que a pouco tempo aposentei como professor da rede pública e terei mais tempo para me dedicar ao trabalho Dele.

Muitas perguntas ficam no ar. O que virá agora? Quais surpresas estão reservadas? Quais serão minhas novas aventuras espirituais com Jesus? Não sei qual será a resposta, mas estou disposto a cumprir minha parte do acordo, estou disposto a beber deste cálice até a última gota. Até meu último fôlego de vida pretendo dedicar ao Senhor e me coloco em suas mãos poderosas para o que der e vier e com essas palavras bíblicas[1] concluo essas páginas.

- Eis me aqui Senhor envia-me a mim.



[1] Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Is 6. 8.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

TESTEMUNHO - CAPÍTULO 23


CAPÍTULO 23

LIVRAMENTO

- Quando você cansar, me acorde que eu dirijo um pouco.

- Ok, pode descansar sem problemas.

Estávamos viajando desde Governador Valadares, MG, até Caraguatatuba. Eu precisava dormir um pouco, pois chegaria, mais ou menos na hora de ir para a escola trabalhar. Não teria tempo nem ao menos para um rápido cochilo, portanto precisava aproveitar a viagem. Coloquei o cinto de três pontas do banco traseiro direito do Omega e dormi. Cinco homens de Deus haviam participado do evento, uma festa de aniversário de uma igreja em Governador Valadares, foi uma benção e agora todos retornavam para casa. Pastor Vivaldo Aguiar não dormia, me impressiona um homem que viaja tantas horas sem dormir, porém, eu não tinha a mesma disposição e apaguei rapidamente.

Em dado momento escutei o barulho de pneus no asfalto e ainda pude vislumbrar o carro desviando de uma carreta, em seguida um impacto como jamais senti em minha vida me projetou contra o cinto de segurança e uma dor lancinante na altura do peito me deixou semi-inconsciente por alguns segundos. Quando consegui reunir alguma força, destravei o cinto de segurança e sai preocupado com algum incêndio de última hora. Quando tentei firmar os pés no asfalto, desmoronei sem forças, ao mesmo tempo em que os pneus de uma carreta passavam muito perto de meu rosto. Encostado na parte traseira do Omega reunindo as forças que voltavam aos poucos consegui erguer o corpo, vencendo a tontura e fui tentar ajudar os companheiros de infortúnio. O missionário Everaldo, projetado para frente viu o cinto se partir com a força do impacto prensando o irmão Oliveira que sentava a frente. Irmão Oliveira gritava de dor. Oramos por ele, sinalizamos o local e recebemos ajuda de um homem com uma Kombi, que levou dois para Barra do Pirai, RJ, enquanto eu fui com um guarda rodoviário federal para Volta Redonda, RJ, acompanhado do irmão Everaldo, que sentia fortes dores nas costas.

Estávamos bem no meio do caminho entre essas duas cidades. Lembrei que ao observar o motor do carro e a árvore fiquei impressionado com o impacto, pois o motor havia entrado bem no meio da árvore até o segundo cabeçote, coisa terrível, pois nunca ouvi falar que em um acidente frontal como aquele, a mais de cem quilômetros por hora, um grupo de pessoas houvesse saído tão bem como estávamos, apesar de algumas escoriações. Posteriormente fiquei sabendo que nenhum dos componentes do veículo havia sofrido fraturas ou algo parecido.

O motorista ficou aguardando o representante do seguro no local do acidente. Quando o homem chegou ele se identificou. O homem observou o estado do veículo e comentou:

- Que pancada heim! Deu perda total do veículo. Quantos ocupantes estavam no veículo?

- Cinco.

- Quantos morreram?

- Nenhum.

Fez uma cara de surpresa, rodeou o veículo, observou mais uma vez o estado geral e voltou à carga:

- Quantos estão quebrados no hospital?

- Nenhum.

Agora ele fez cara de espanto. Não era realmente a resposta que esperava. Deu outra avaliada na situação e perguntou agora com muita curiosidade:

- Quem são vocês?

- Somos servos de Jesus Cristo, estávamos fazendo um serviço para Ele em uma igreja de Governador Valadares.

- Então está explicado. Foi um milagre. Pode agradecer a Deus porque vocês viveram devido a um grande milagre.

Realmente, contar o fato em casa e na escola, onde trabalhava, para as professoras e ver o nome de Jesus glorificado por tão grande milagre, não foi difícil, porque a marca do cinto em meu peito e no abdome confirmava a história e deixava a todos perplexos, mas a grande lição de todo o episódio é que Deus o Todo Poderoso cumpre sua palavra, dando o livramento prometido segundo as escrituras, até mesmo quando não temos tempo de alçar nossas vozes ao céu e nos socorre de forma que todos ficam boquiabertos e até mesmo um ímpio, reconhece que uma mão poderosa esteve presente em momentos como esse.

A narração deste episódio tem a intenção de mostrar a mão sobrenatural de nosso Deus nos protegendo, até mesmo em momentos que nos encontramos indefesos. É possível até que no reino das trevas, espíritos imundos viessem a se alegrar contando com a morte de cinco obstáculos em forma de servos atuantes, porém Jesus Cristo tem suas mãos estendidas. O episódio me pegou de surpresa e dormindo em uma viagem, desde então durmo nas viagens com mais certeza e mais segurança de que minha vida está nas mãos de Deus.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

TESTEMUNHO - CAPÍTULO 22


CAPÍTULO 22

TRABALHO DIFÍCIL (PROVA DE FÉ).

- Servo vou enviar você a um lugar onde verá coisas novas, como até o momento não viu.

Palavra interessante, realmente interessante. Sabendo que uma palavra como essa vem do Criador e que Ele tem poder para fazer grandes milagres à palavra cai bem aos ouvidos e a imaginação divaga, vendo por antecipação milagres conhecidos através das escrituras ou até mesmo milagres contados nos testemunhos do dia a dia em nossas igrejas.

É impressionante como Deus o Todo Poderoso nos conhece a ponto de aguçar nosso sentido em prol de algum objetivo misterioso a ser alcançado, porém nosso intelecto bastante limitado dificilmente consegue entender os propósitos divinos, a não ser que eles já tenham acontecido e podemos então analisar todos os ângulos das palavras e dos fatos para chegarmos a conclusões realmente concretas e convincentes.

Depois de repetidas promessas de algo novo, recebi uma proposta diferente do irmão Oliveira. Desta vez iríamos para o Piauí, sem agenda definida e faríamos tudo o que Deus mandasse, à medida que fossemos nos aprofundando no interior do estado. Aceitei por que sou meio aventureiro e já estava na expectativa de algo novo acontecer.  Marcamos a data porque tudo tem que ser preparado com antecedência. Normalmente emendo férias escolares com licença prêmio e posso com isso atender minha família, minha igreja local e posteriormente sair em viagens mais longas. Enquanto tudo estava sendo preparado por aqui, a mão de Deus começou a se mover e tudo começou a ser preparado por lá.

Pastor Joaquim, ex-capataz de uma das fazendas do Presbítero Oliveira, após um bom tempo sem dar “sinal de vida”, ligara para “seu” Oliveira pedindo um trabalho do porte que normalmente fazíamos e pasmem... Ele se encontrava em Campo Largo, um lugarejo não muito longe de Teresina, no Piauí. Com certeza daí em diante, o Senhor abriu as portas da palavra, por que recebemos o convite de passar em Teresina, conhecermos o Pastor Presidente e posteriormente iríamos para Campo Largo. Em Campo Largo o Pastor Joaquim ficou encarregado de preparar a Cruzada com um serviço de aproximadamente duas semanas, pregando nas igrejas da circunvizinhança, com a possibilidade de ser ampliado, caso tudo ocorresse a contento.

Impressionante como o Espírito Santo prepara seus planos, armando toda uma estratégia, que de forma inesperada simplesmente acontece, como que unindo elos de uma corrente que aplaina o caminho a ser seguido conforme sua vontade, e, uma sucessão de objetivos delineiam-se no horizonte como que saído do nada. A principio íamos nos aventurar em um estado desconhecido, sem nenhuma perspectiva do que faríamos, onde ficaríamos, e em algum tempo toda uma cruzada estava sendo preparada com sede de controle e mini viagens a partir da sede para as cidades vizinhas. Isso propiciou o aumento do número de participantes incluindo também músico, cantor e até mesmo outro pregador extremamente usado por Deus em situações como essas. Quanta coisa aconteceu a partir do momento em que tomamos a decisão de ir para o Piauí. Agora antevia realmente coisas sobrenaturais, aproveitei até para pedir ao Senhor, que nos desse umas mínimas duzentas almas novas convertidas, em um mês de trabalho, uma parte no Piauí e outra no Tocantins.

Tudo preparado. Partimos. Passar pela Transpiauí, estrada que liga a região Centro-oeste com a Região Nordeste era um verdadeiro desafio, mas tínhamos que fazer um serviço em Goiânia, por isso enfrentamos este desafio. Em um desvio na cidade de Floriano, perdemos o caminho, quase saímos em Picos e levamos um prejuízo de quinhentos quilômetros aproximadamente, na correção de nossa trajetória em direção a Teresina. Isso fez com que o Pastor Joaquim dormisse na rodoviária, fosse assaltado e tivesse que recorrer a Deus para recuperar sua carteira e seu dinheiro. E para glória do Senhor, conseguiu este feito em pouquíssimo espaço de tempo. Chegamos a Teresina, conhecemos o Pastor Presidente, que gostou do nosso projeto de trabalho e seguimos viagem em direção a Campo Largo, onde ficaríamos por duas semanas ou mais se tudo corresse bem.  Dura luta foi acostumar a dormir em redes. No primeiro dia acordei mais cansado do que antes de dormir. Convidaram-me para sair e recusei. Foram ver um projeto do governo para plantação de arroz. Fiquei lutando com as redes, coisa terrível para mim.

Havíamos pregado na noite anterior, mal chegamos e no dia seguinte os irmãos se aproximaram para conversar. Comecei a ouvir bênçãos. O porteiro falava da cura de uma hérnia revelada na noite anterior. Outra irmã disse que não pode vir a igreja porque sua netinha estivera doente durante a noite. Lamentei o fato dizendo que ela perdera a benção, mas ela assegurou que não, por que de sua casa, ela ouviu todo o culto e quando chegou ao momento da oração da fé, ela participou à distância e Jesus curou sua netinha instantaneamente, mas o testemunho inicial que me chamou a atenção foi da esposa do Pastor, que falava da penúria em que se encontravam comendo feijão guandu à cerca de um mês. Curiosamente ela me explicou que o feijão era depositado em um tanque com areia. Todo o dia era separado um quinhão que depois de peneirado, para retirar a areia era consumido. Fiquei pasmado com as condições de vida, que levam alguns irmãos por esse interior do Brasil e estou contando esse fato para estimular a todos que cooperam de alguma maneira com os pobres e necessitados em quaisquer lugares onde estejam. Ela me falou em sua alegria quando chegamos com a caminhonete cheia de roupas e comida. Comecei a partir daí a verificar a dura situação que vive alguns irmãos por esse Brasil a fora e confesso que de todos os lugares onde passei e não foram poucos nesses últimos anos, o que mais me deixou sensibilizado, foi esse estado e a situação difícil em que vive o povo pobre do interior. Já andei pelo vale do Jequitinhonha e conheço sua fama em pobreza, mas essa região do Piauí é tremendamente mais carente, do que qualquer lugar por onde eu já coloquei meus pés.

Comprar com notas “grandes”, R$ 50,00, nesses lugares se torna um transtorno porque o comerciante não tem troco, até mesmo comprar com notas pequenas às vezes pode ser difícil. Quantas vezes telefonei em cabines públicas, e sai com um vale nas mãos porque a telefonista não tinha troco, para cinco ou dez reais. Quantas vezes perdi o dinheiro dos vales, por não poder voltar para receber o troco. É incrível estar em um lugar, possuir dinheiro e às vezes não poder comprar por falta de troco.

Visitei irmãos, orei por enfermos em residências na periferia da cidade, entrei em casas onde não havia sequer uma mesa e os irmãos sentavam em pedaços de troncos que servem como cadeiras e ali conversam e comem com o prato nas mãos. Eles plantam e não tem para quem vender, por isso a sobra é enviada para a igreja onde é distribuída a outros que não tem nada. A renda da igreja, que na época não passava de um salário e meio, tinha que dar para o Pastor, para a igreja, três ou quatro congregações, e todos os pobres da igreja. A possibilidade de tratamento médico em alguns casos é nenhum, por isso orávamos por qualquer doença em qualquer circunstância e em qualquer lugar e Deus curava indiscriminadamente. Impressionante como Deus responde atendendo a necessidade, como um bálsamo, como uma brisa suave, aliviando sofrimentos de um povo que vive uma vida rude e difícil. Não é a toa que grandes clássicos brasileiros foram escritos mostrando a rudeza da vida no interior do nordeste brasileiro. Agora estava começando a entender o que Deus me prometera ver. Não era bem o que imaginara, ou o que queria ver, mas sim o que ele em sua onipotência resolvera mostrar.

Quando começamos um ministério itinerante sonhamos em ser um pregador conhecido e alcançar multidões, nem sempre acontece como imaginamos, alguém tem que ir mais fundo, chegar ao âmago da pobreza e da necessidade e arrancar almas que sofrem, da mão do inimigo. Alguém precisa ver a realidade e falar dela para despertar e atrair outros que somados e unidos formem um grupo de apoio e de socorro que alcancem, auxiliem e supram necessidades de um povo que precisa ser alcançado pelo evangelho. Ver tudo isto para mim era estarrecedor.

Mais estarrecedor foi verificar que em alguns casos Deus revelava doenças em pecadores e condicionava[1] a aceitarem Jesus como salvador e as pessoas diziam não. Lembro-me de uma senhora que havia sido abandonada pelo marido e foi revelada na igreja. O Espírito Santo mandou condicionar a restauração da família e de toda a sua felicidade, à aceitação de Cristo e ouvimos um sonoro não. O Pastor da igreja me chamou em canto e me contou que ela estava morando em sua casa de favor e não queria aceitar Jesus, porque seu marido não gostava de crente. Indignado protestei dizendo que Deus estava prometendo a restauração de toda a família, mas mesmo assim a incredulidade impediu que ela desse o passo necessário à solução do problema. Pelo menos quatro a cinco casos como estes eu assisti estarrecido e fiquei triste. Não podia imaginar que Jesus tinha me conduzido até uma situação como aquela para ver tamanha incredulidade. Após duas semanas pregando em Campo Largo, Matias Olímpio, Esperantina, Nossa Senhora dos remédios e outros lugares que já não me recordo o nome. Após ver milagres tremendos com quem cria. Após ver o maior índice de pobreza de todos os lugares onde andei, após ver somente quinze pessoas aceitarem Jesus como Salvador, após ouvir o provérbio da boca dos pastores da região que dizia: “No maranhão e Pará, um culto cem almas; no Piauí, cem cultos uma alma”. Após ver todas essas coisas, desisti.

- O que você acha irmão? Perguntou o irmão Oliveira.

- Eu acho que quando a pescaria não está boa é melhor mudar o ponto da pesca.

- Então vamos embora. - É que o Pastor quer que fiquemos mais alguns dias, e depois temos o convite de passar pela sede em Teresina.

- Vamos embora para o Tocantins. Não estamos pescando quase nada em almas por aqui. A pescaria está tão fraca que já estou tendo dúvidas se Deus quer que continuemos por aqui.

Chegando ao Tocantins continuamos a pregar nas várias cidades onde marcamos compromisso, porém a maré de azar continuava e em dado momento, desgastado por um trabalho quase infrutífero resolvemos tomar o rumo de casa. Acho que não precisa dizer que não completei os trinta dias de cruzada e pela primeira vez pedi que não marcassem mais compromissos e saí de cena.

Algum tempo depois recebi um telefonema do irmão Oliveira.

- Irmão, dezenas de pessoas estão aceitando a Jesus nos lugares por onde passamos e que aparentemente não aconteceu nada!

- Não brinca, e você sabe quantos?

E vieram os dados pelo telefone.

- Os irmãos estão contando testemunhos nas igrejas e em repercussão novos milagres acontecem e muita gente está aceitando Jesus como Salvador.

- Meu Deus, que vergonha! E pensar que deixamos o Piauí mais cedo e também encurtamos a cruzada do Tocantins por que estávamos decepcionados...

- É, mas quem poderia imaginar que Deus iria fazer a obra depois que deixássemos o lugar?

Realmente não conseguimos entender os propósitos de Deus. Somados as almas que aceitaram Jesus no Piauí e Tocantins, mais os que aceitaram depois de nossa saída, tinha uma conta de aproximadamente cento e setenta a cento e oitenta vidas. Faltava pouco, muito pouco para atingir o índice de vidas que pedimos em oração, e mais uma vez, surpreso, vi a mão de Deus agindo de forma a atender nossas petições, porém de forma diferente. Ele provou mais uma vez que é Deus e faz como quer.

Contudo não estava satisfeito, pra mim o serviço estava incompleto, protestei ao Senhor por que o índice estava próximo do mínimo pedido, no trabalho mais difícil que já tinha feito, e disse ingenuamente:

- Senhor por que não atingimos o mínimo pedido, já que o Senhor movimentou as águas depois que encerramos a cruzada?

- Por que vocês não terminaram o serviço, abandonaram antes da hora!

Fiquei sem palavras, mais uma dura lição para minha vida ministerial. Eu sei que tenho vivido de erros e acertos, porém passar com nota máxima nas provas que Deus estabelece é realmente difícil. Decepcionado por não atingir meus objetivos e por estar presenciando a mais dura realidade de minha vida, realmente me retirei do campo de batalhas mais cedo. Precisava restabelecer minhas forças para continuar lutando em outros lugares, por isso tomei tal decisão, como é que podia imaginar que Jesus estava preparando uma surpresa como aquela!? Fiquei indignado comigo mesmo. Como é que não antevi uma coisa dessas? Como é que não imaginei algo assim? Não gosto de falhar, por isso venho pedindo a Deus uma nova oportunidade de corrigir meu erro, e voltar ao Piauí, mas de momento ficou só a lição, e que lição!

Em qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer situação, precisamos crer, somente crer, porque nosso Deus é poderoso para fazer muito mais do que pedimos ou pensamos, mesmo que nossa vista mostre uma outra realidade. Ele não gosta, ele não aceita, não partilha com a incredulidade. Não é à toa que está escrito: Mas o justo viverá da fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. (Hebreus 10: 38).

Tenho nestes vinte e quatro anos de fé cristã cometido erros e acertos como este, ora ganho, ora perco batalhas contra as trevas, mas estou vencendo essa guerra em Cristo e contando com o fato que Deus converteu minha alma, curou-a de todas as mazelas, batizou-me com seu Espírito Santo, permitiu que tivesse um emprego, juntamente com minha esposa, ela também é professora. Deu-me uma família saudável e feliz, uma alegria que transborda em minha vida, em minha alma. Posso me considerar um cristão agradecido, por isso procuro contribuir de todas as maneiras possíveis com sua obra, de maneira que outros possam alcançar tão grande salvação e pela grande graça e grande misericórdia de Deus, tenho obtido sucessos que inspiram a continuar produzindo frutos, contando que o senhor está me limpando para que venha produzir mais fruto. Mas nessa prova não consegui ser cem por cento bem sucedido, ainda que tenha aprendido mais uma dura lição.



[1] Nunca vi coisa semelhante em minha vida, nem ouvi falar de algo assim, mas certas revelações no Piauí, o Senhor ordenava condicionar à aceitação de Cristo como Salvador, para receber a benção da cura e a negativa realmente nos chamou a atenção. Lógico que isto não é um ensino nem uma doutrina são apenas casos específicos acontecidos neste determinado local.

terça-feira, 5 de junho de 2012

TETEMUNHO - CAPÍTULO 21


CAPÍTULO 21

DE MEMBRO A EVANGELISTA

- Desse jeito você nunca deixará de ser membro.

- O que posso fazer, tenho que ir, pois tenho um acordo com Cristo.

Estava tendo problemas mais uma vez com minhas saídas viagens e pregações, não era a primeira vez que um ou outro Pastor criava complicações por causa do meu serviço itinerante. Para complicar mais ainda havia mudança de pastores de seis meses a um ano em média, na administração da igreja em que eu frequentava. Por um lado o Espírito Santo me mandava ir e por mais de uma vez me mandou um aviso: “Ai de você se não for, coloco outro em seu lugar”, por outro lado uma pressão tremenda de alguns pastores, para me colocar em um trabalho fixo qualquer dentro de uma congregação.

            Lógico que a ameaça sempre existiu e me perseguiu durante vários momentos, mas confesso que nunca me preocupei muito, porque nem ao menos quis estar no lugar que estou ou fazer o que estou fazendo. Foi determinação de Deus e só estou fazendo minha parte, devido a um acordo que fiz anterior a qualquer momento de minha vida ministerial.

- Seja lá o que Deus quiser! – Falei. Preciso continuar fazendo...

Não tive e não tenho muitas pretensões dentro da hierarquia eclesiástica, exceto em cumprir minha parte do acordo feito com Deus, nunca quis ser pastor, presbítero, evangelista, ou ter outro título qualquer, porém durante anos fui incomodado por essa questão. Em determinados lugares tinha que dar explicações, do porque era usado por Deus e não tinha um título hierárquico na igreja. Após alguns anos de pressão psicológica de irmãos e amigos levei a questão diante do Senhor em oração e pedi a ele uma resposta.

- Virá um grande até sua cidade. Ele vai simpatizar muito com você porque meu Espírito unirá seus corações. Em seguida ele irá te convidar para ir com ele, vá por que estou nesse negócio.

Normalmente recebo uma instrução divina e aguardo confirmações posteriores, lógico. “Gato escaldado tem medo de água fria”. Já fui tantas vezes enrolado pelo Diabo em minha infância espiritual que hoje fico vigiando em todos os sentidos. Mas desta vez tudo se confirmou rapidamente. Chegou o homem de Deus, ficou três meses apenas em minha cidade. Convidou-me para ir até a sede em Santos com ele. Olhava-me de forma estranha como se estivesse olhando para um alienígena. Dizia-me que não tinha explicações para o que iria fazer, mas que Deus havia mandado que fizesse.

Passei por uma triagem intensa. Fui separado em sala particular com um Pastor Líder, fui testado de todas as maneiras que costumam fazer nessas ocasiões, só então fiquei sabendo que não seria comissionado evangelista de forma temporária como era prática do Ministério, mas seria ungido evangelista, com imposição de mãos, de forma definitiva. Confesso que minha surpresa foi grande e também de todos os obreiros em Caraguatatuba, porque o que havia ocorrido comigo era um verdadeiro milagre em termos ministeriais.

Deus é o Todo-Poderoso, é o criador do céu e da terra, é onipotente, onipresente e onisciente. Deu todo o poder no céu e na terra a seu filho Jesus Cristo, que morreu para a salvação de muitos e estabeleceu sua igreja em toda a terra. Ele pode fazer milagres em todos os aspectos de nossa vida e mais uma vez estava sendo alvo de mais um milagre. Era um simples membro de igreja com a perspectiva de nunca conseguir acompanhar a hierarquia cristã de minha igreja local, devido a um acordo que tinha obrigação de cumprir, mas ele estendeu suas mãos para mim e resolveu meu problema, num repente, que até me surpreendeu. Fui ungido Evangelista, ministro do evangelho naquele dia em Santos e posteriormente Pastor no Ministério do Belém. Nunca fui diácono e nunca fui presbítero. Nunca fiz um curso bíblico, porque nunca parei de trabalhar secularmente em escolas da rede pública e nunca parei de trabalhar para ganhar almas pra Cristo nas igrejas locais e fora delas, mas Deus em sua infinita graça e misericórdia me supriu de tudo e fez em mim tudo o que sou.

Tenho orgulho e respeito por meu cargo, meu encargo e minhas funções, porque sei que não conquistei nada e não tenho méritos pessoais, exceto em tentar fazer minha parte com fidelidade, no acordo feito com o Senhor. Procuro honrar meu cargo e executar minhas funções com seriedade e temor diante do Senhor e sei que se um dia houver mais alguma mudança em minha vida ministerial, ela virá do Senhor, pois estou satisfeito com tudo o que me deu e o que vem fazendo em minha vida. O propósito do meu pai um dia foi consumado em minha vida, mas o propósito de Deus era maior porque hoje já temos vários pastores e líderes na família e com certeza esse quadro ministerial será ampliado no futuro.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

TESTEMUNHO - CAPÍTULO 20


            CAPÍTULO 20


SALVAÇÃO E MILAGRES

- Estou muito doente, neste lugar não tem remédio, nem médico, nem hospital e estou muito mal. Cura-me Senhor, se não a cruzada vai acabar amanhã, porque minha garganta está ruim, está piorando, parece infeccionada. Cura-me, por favor...

Era madrugada, podia ouvir o barulho dos animais na noite. Ouvia o ronco de irmãos que dormiam ao lado, o glorificar constante do irmão Oliveira dormindo. Perguntava-me como é que ele conseguia elevar a voz e glorificar a Deus no meio do sono. Estava preocupado, iria pregar no dia seguinte em um culto ao ar livre, porém a gripe que havia me atacado não me deixava dormir. A garganta doendo, inflamada com certeza estava provocando febre, porque sentia um pouco de frio. Já havia pedido para me substituírem no culto dessa noite que passou. O irmão que me substituiu também estava desgastado e meio rouco, afinal de contas estávamos há dias pregando a palavra de Deus de cidade em cidade. Lembrei-me de alguns nomes: Goiânia, Araguaína, Wanderlândia, Darcinópolis, Mosquito, Estreito do Maranhão, Estreito do Tocantins, Luzinópolis, Piraquê, Xambioá, São Geraldo do Araguaia. Algumas na primeira cruzada. Outras na segunda. Eram muitos lugares, viagens no meio da madrugada. Distâncias consideráveis. Calor em excesso, cansaço, água gelada e agora essa gripe.

- Cura-me Senhor. Preciso dessa benção. Por favor, cura-me...

Varei a noite, toda a madrugada, só piorei e muito. Lá pelas tantas fechei os olhos e dormi um pouquinho. Acordei mais enfermo, pior ainda, irritado. “Afinal estou trabalhando para o Senhor, não custa nada o Senhor me curar”. Pensava. E nada.

“OK!”. Propus em meu coração. “Vou fazer minha última pregação. Vou dar tudo que posso. Vou me esforçar. Vou forçar minha garganta ao máximo, vou ficar rouco, vou piorar e vou cancelar todas as duas semanas que estão pré-marcadas. Depois vou embora para casa”. Após uma noite de desespero e um dia luta com aquela enfermidade, sem remédios, minha irritação, minha decepção e meu ânimo haviam alcançado um alto grau de saturação.

Perguntei para os irmãos sobre hospital, farmácia, cadeia. Parecia que estava em outro mundo. Não havia nada como nós conhecemos por aqui. A farmácia era um Box com pouquíssimas opções de remédios (encontrei apenas um xarope antitussígeno) e a cadeia era uma casinha sem reforço, que servia para abrigar algum desviado beberrão em algum excesso. Hospital não existia e médico só na cidade vizinha.

- Não tem bandido por aqui?

- Não o último que roubou um carro por aqui foi anunciado no alto falante da igreja, todo o povo orou e o sujeito não foi longe, foi pego na estrada, preso e o carro foi devolvido.

- Mas deve morrer muita gente de enfermidades por aqui, não é mesmo?

- Não. Aqui a igreja ora e Jesus cura. O que não tem fé tem que enfrentar a viagem até o Estreito.

Lembrei-me da viagem de Wanderlândia até o estreito do Maranhão. Depois a estrada de chão batido e piçarra (pedrisco semelhante a bolinhas de gude), até São Pedro dos Crentes e senti um frio na coluna. Será que eu ficaria conhecido como o homem sem fé, que seria levado doente daquele lugar.

“Jesus tem misericórdia de mim porque estou ‘enrolado’”.

A cidade de São Pedro dos Crentes havia saído em uma revista evangélica da CPAD, como a cidade com maior proporção de crentes em todo o Brasil. Pedi para o irmão Oliveira incluir uma visita ao lugar apenas para que pudesse conhecer. Tivemos que trocar de veículo com o Pastor de Araguaína para poder chegar ao local. Pedimos a dois pastores do mesmo ministério para nos acompanhar porque desconhecíamos o local, seu pastor e sua igreja. Agora eu estava lamentando minha idéia maluca de conhecer um lugar fora da programação.

A cidade era uma benção. Não devia ter mais de cinco mil habitantes. Um quarto de seus habitantes cabia dentro da igreja. Um alto falante que alcançava quilômetros impedia que qualquer um de seus habitantes deixassem de participar do culto fazendo chamados constantes. O pastor podia falar com toda a igreja a hora que quisesse pelo sistema de alto falante. Era incrível. Quando entramos na cidade saudamos todos os seus habitantes de forma indiscriminada com a paz do Senhor e todos respondiam transmitindo essa mesma paz. Lugar maravilhoso. A escola era atendida por ônibus que buscava a todos na periferia. O índice de mortalidade era um dos menores do Estado. Por isso a cidade recebeu a visita da governadora Roseana Sarney, que queria saber como esta cidade conseguia ter índices semelhantes aos de cidades em países civilizados. Com certeza a mão de Deus estava nesse negócio. Eu até queria aproveitar melhor esses momentos, mas estava passando mal, muito mal e teria que pregar no ar livre no dia seguinte. Nesse momento, meu lamento era muito grande e a pressão psicológica da situação me deixava muito irritado.

O culto ao ar livre seria feito em um bairro onde era grande o número dos desviados. A cidade na época tinha mais de oitenta por cento de crentes da Assembléia de Deus. Os desviados e não crentes ao que parece acabaram se concentrando em lugar que era o alvo dos cultos ao ar livre, e, ao que parecia me coube fazer boa parte do serviço naquela noite. Levaram um caminhãozinho para o centro do bairro. O som era extremamente bom. Deram início ao culto. Havia muita gente participando. Louvores, adorações, orações. O irmão Oliveira naquela noite contou o testemunho de sua filha Adriana, uma dentista muito conhecida em Caraguatatuba, esposa do Pastor Marcos Paulo da igreja Graça e Vida. A emoção tomou conta de todos, a partir do irmão que contava o testemunho. O culto tomava um rumo muito bom do ponto de vista espiritual. Conseguia perceber o Espírito de Deus conduzindo toda a situação. Estava tudo muito bom. Tudo direcionado. Sabia que havia um propósito definido de Deus e faria parte dele. Não poderia decepcionar a todos. Tinha que dar o melhor de mim. Com gripe ou sem gripe, garganta inflamada ou não, tinha que fazer minha parte, e, se possível, bem feita. Esqueci da dor, esqueci da doença. Senti meu corpo aquecer, minhas forças voltarem. O Espírito de Deus em determinados momentos faz com que tudo fique para trás. Só interessam o propósito de Cristo, salvação, libertação de almas oprimidas pelo Diabo e uma grande responsabilidade sobre os ombros do pregador.

Preguei, preguei e preguei. Vi Demônios rolando lá embaixo. Pastores expulsando. Vi gente caindo debaixo da unção que se derramava no local. Vi gente falando em línguas estranhas. Vi muita gente chorando. Vi muita gente aceitando a Jesus. Quarenta e nove no ar livre, somado aos três do dia anterior daria um total de cinqüenta e três almas que aceitavam ou voltavam ao aprisco do Senhor. De cima do caminhão. Tentando concatenar o pensamento para não perder o rumo da mensagem assistia a tudo aquilo. Esqueci completamente que estava doente, que estava muito mal de saúde. Fiz o convite para aceitarem a Jesus. Fiz a oração. Transpirava por todos os poros. Entreguei o microfone. O pastor falava de um terreno que tinha no local e na necessidade de fazer imediatamente um templo, para abrigar todos os que estavam aceitando a Jesus. De repente lembrei que não sentia mais minha gripe, não sentia mais minha garganta, não sentia o peito arfando com dificuldade de respirar.

“Estou curado”. Pensei. “O Senhor me curou em meio à pregação”. Não conseguia lembrar o momento, mas percebi que Deus havia feito a obra na minha vida concomitantemente ao momento em que fazia sua obra. “Cuido de sua obra e o Senhor cuida de mim”. Pensei.

Assim tem sido durante todo o tempo. Quando entramos na folha de pagamento de Cristo temos direito ao pacote de bênçãos que acompanha a salvação. Por isso minha pregação vai sempre ser a salvação das almas da perdição eterna, mas sem esquecer que um pacote de promessas e de bênçãos acompanha esta salvação, suprindo ao pregador e a todos, de todas as necessidades até que tudo se consuma.

Ainda tinha um longo período de trabalho até consumar aquela cruzada, mas daí em diante tudo o que aconteceu foram bênçãos e alegrias, pois estimulado pelo resultado daquela pregação e pela cura divina acontecida de surpresa, durante aqueles momentos preciosos, o resto do mistério foi desenrolado sem problemas.

Pregar Jesus com trabalho sob encomenda é uma faca de dois gumes, por um lado é uma delícia fazer o papel de o anjo mensageiro e ver o efeito da glória de Deus atingindo vidas. É trabalho semelhante ao do sangue, dentro do corpo humano oxigenando e suprindo células, é realmente delicioso. O difícil é quando se marca um trabalho para trinta ou sessenta dias depois e o tempo fecha, a doença vem, somada ao cansaço da vida de trabalho cotidiano, o ânimo entra em “queda vertical”, e o trabalho tem que ser feito, porque alguém do outro lado está contando com ele. Após a preparação de uma festa que envolve tempo, serviço e dinheiro, existe sempre uma grande expectativa para a chegada do pregador. Nessa hora, só a misericórdia divina e a oração dos irmãos é que pode movimentar nossas forças frágeis em direção à conclusão do mesmo.

domingo, 3 de junho de 2012

TESTEMUNHO - CAPÍTULO 19


CAPÍTULO 19

AMPLIANDO HORIZONTES II

             “Senhor tu sabes que não sou incrédulo, porém tudo que está acontecendo aqui é algo acima de qualquer perspectiva humana” – Orei silenciosamente em Espírito, pois estávamos no meio de um culto que havia saído do perfil natural e havia entrado no sobrenatural de forma tal como nunca tinha visto antes, confesso que certa dúvida começou a aguilhoar meu pensamento, portanto falei com Jesus como sempre fiz em momentos que escapam de minha capacidade de percepção.

            “Gostaria que o Senhor me desse uma confirmação de alguma maneira porque de uma forma ou de outra, sou em parte responsável por tudo que está acontecendo”. Havia sido convidado por um Pastor conhecido meu de Jambeiro para pregar em um culto de festa em sua cidade. Concomitantemente ele convidou algumas irmãs, participantes do círculo de oração de uma igreja que ele conhecia em outra cidade. A mistura explosiva de um culto de festa onde o povo havia se consagrado para obter os favores divinos, minha pregação direcionada pelo Espírito de Deus, mais o grupo de irmãs, todas vasos consagrados ao nosso Deus, “implodiu os alicerces da igreja” e Deus usava vários vasos de forma concomitante como nunca tinha visto e me causava certa preocupação.

            Nesse momento uma das irmãs subiu ao púlpito colocou uma de suas mãos sobre meu ombro e entregou uma mensagem:

             - Meu servo, você quer falar em japonês? – Me lembrei de que algum tempo atrás Deus o Todo poderoso no culto de uma senhora que era casada com um japonês me tomou falou com o homem, este aceitou Jesus e até hoje não tenho idéia do que Jesus falou para o japonês e pensei: Agora vou saber com certeza se o Senhor está nesse negócio ou não e respondi interiormente: “Quero Senhor”. Saiu àquela língua nipônica[1] em uma enxurrada de palavras que me impressionou favoravelmente.

              - Meu servo você quer falar uma língua indígena.

“-Sim Senhor”. Era impressionante a fluência mesmo tendo mudado o estilo da pronúncia. A bíblia e soberanamente certa quando afirma que a língua estranha edifica o crente, quanto mais em uma demonstração de poder como aquela que estava vivendo. Lembro-me que Ele (Deus), falando pela boca da irmã, propôs que eu falasse outra língua e aceitei no pensamento, já embalado por uma situação que não conseguia vislumbrar o motivo, mas que era extremamente edificante. Por fim o Espírito de Deus propôs:

              - Meu servo você quer falar a língua falada na índia.

               “Quero Senhor”. Nesse momento estava querendo tudo, estava excitado porque adoro a experiência de coisas sobrenaturais. E saiu mais uma língua totalmente desconhecida para mim. Eu curtia esse momento com um sabor especial, pois é realmente impressionante sentir a ação do Espírito Santo dentro de nossas vidas de uma forma tão marcante.

               - Pois saibas tu servo, que nessa língua falarás ao povo daquele lugar e no meio deles tu comerás até bicho.

                Agora doeu. Senti como se fosse um tranco em meu intelecto. Protestei em português agora em voz alta, mas por incrível que possa parecer, saía naquela língua, para mim desconhecida, ou seja, eu pensava em português, mas minha boca falava aquela língua estranha. Estava atônito. Já havia recebido promessa diferente, já sabia que sempre acontecia conforme o prometido, por isso de imediato fiquei meio preocupado. Quando estava me acalmando com tudo o que havia acontecido e com o fim daquela mensagem profética bastante estranha. Veio outra irmã com outra mensagem:

- Servo você receberá nos próximos dias três convites. Dois serão para fazer um serviço em sua cidade. O terceiro será para você pregar longe de casa. Aceite, sou eu quem está mandando.

“Ok! Senhor” – Pensei. “Estarei aguardando o cumprimento[2]”.

Mal acabara de receber a segunda mensagem veio à terceira com um aviso para se preparar para mais uma investida maligna, agora oferecendo um prato extremamente apetitoso, que deveria ser rechaçado com uma consagração especial de jejum e oração.

Até o dia de hoje ainda não preguei fora do país, porém creio que irá se cumprir à mensagem porque entendo que veio do Senhor, porém recebi em seguida dois convites para pregar por perto e esperei o convite para alargar os horizontes e fazer uma viagem mais longa que as viagens do cotidiano.

“Pronto Senhor, já fiz os dois serviços de perto, agora só falta o de longe”.  Pensava sempre que me lembrava da mensagem recebida anteriormente.

Alguns dias depois chegou um irmão empresário, que hoje é um amigo e irmão que respeito demasiadamente, me fez um convite para realizar uma cruzada no norte do país. Fiquei pasmado. Era muito além da perspectiva que tinha da proposta que viria. Ele queria ir até a cidade de Wanderlândia (perto de Araguaína) no Tocantins onde tinha uma fazenda e a partir dali realizar uma cruzada nas cidades e igrejas da região, independentemente de ser a mais pobre ou mais rica. Teríamos de ficar pregando sem parar de quinze dias a um mês dependendo das possibilidades. Era uma proposta com continuidade, ou seja, caso tudo desse certo faríamos outras para regiões diferentes.

Esse homem crente, empresário, com certo poder aquisitivo, estava disposto a ganhar almas e amparar igrejas pobres do Norte e Nordeste. Acostumou a fazer campanhas evangelísticas nas regiões pobres do Brasil. Algumas vezes ele levou dinheiro, alimentos, roupas, cantores, músicos, pregadores, ensinadores e fez verdadeiras festas espirituais, em cidades onde as comunidades pobres jamais teriam condições de realizá-las.

Presbítero Gutemberg de Oliveira, homem de Deus, ganhador de almas, empresário e grande amigo. Conhece seus limites no tocante a pregação da palavra, mas tem usado suas posses e seu coração para cumprir o ide de Jesus Cristo. Não sabe cantar, leva o cantor, não sabe pregar, leva o pregador, não sabe tocar leva o músico. Prega de forma indireta, por isso passou a ser um homem respeitado e querido na região onde tem desenvolvido um trabalho que não aparece, não sai em jornais e revistas, mas cumpre a determinação de Jesus Cristo nosso Senhor. Curiosamente têm inspirado outros a fazer o mesmo. Tomara Deus sejam levantados dezenas, centenas, milhares de homens como este e os Pastores e igrejas necessitadas receberiam bálsamos em suas vidas, em forma de ajuda humanitária e espiritual.



            [1] Minha afirmação se baseia no fato acima citado, pois havia testemunhas e também em outro fato acontecido em uma reunião da ADONEP em Caraguatatuba na casa do irmão Otávio, Pastor da Assembléia de Deus onde o Senhor me tomou na língua nipônica e uma Japonesa que se encontrava conosco, ficou curiosa porque me ouvia orar em sua língua natal segundo ele sem sotaque. Não entendo a língua, mas é possível perceber as peculiaridades da língua nipônica.
[2] E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim. Esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele. Dt 18. 21-22.

sábado, 2 de junho de 2012

TESTEMUNHO - CAPÍTULO 18


            CAPÍTULO 18


            AMPLIANDO OS HORIZONTES


-         Meu servo, te trouxe aqui para pregar minha palavra.

O vaso usado levantou para entregar a mensagem.

“Até ai tudo bem senhor” – Pensei – “Mas a mensagem que o Senhor me deu é muito dura. Além disso, os líderes dessa igreja estão todos aqui, estou intimidado”. Não era a primeira vez que conversávamos sem que eu abrisse a boca.

- A palavra é essa mesma que coloquei em vosso coração. Pregue-a.

Imediatamente lembrei-me do versículo chave da mensagem que deveria transmitir: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Ap 3.15, 16”. Era uma exortação pesada e confesso que não estava bem à vontade para pregar mensagem tão dura em meio a uma festa espiritual com toda a cúpula da igreja local ali presente. Sei que recebi do Senhor, certa facilidade para entender as escrituras, sei que recebo revelações de mistérios bíblicos de forma sobrenatural, sei que sou um autodidata do ponto de vista espiritual, mas nunca fiz um curso bíblico básico ou avançado, por que optei por evangelizar e ganhar almas durante todo o tempo disponível, mas em determinados momentos como esse, Deus me põe a prova e certa preocupação por vir de “escola teológica diferente” sempre vem à tona.

- Observe minhas ovelhinhas! A mensagem profética continuava – Estão com a boca aberta aguardando a comida espiritual que você vai servir.

Dei uma olhada na platéia, todos estavam atentos, boquiabertos, com a curiosidade despertada pela profecia, que acontecia publicamente, justamente no momento em que cheguei ao púlpito. Não tive dúvidas. “Ok, vai ser esta mesma, Senhor”. Abri a Bíblia e preguei com muito gosto. Volta e meia imaginava: “Se tiver que ser a primeira e a última mensagem nessa igreja, ao menos vou agradar ao Senhor com quem tenho um compromisso”. E preguei com volúpia. Em dado momento o povo começou a glorificar e a glória de Deus tomou conta do lugar. Fiquei perplexo, quanto mais chicoteava, maior era o avivamento. Sentia-me como um jogador de futebol que batia primeiro e perguntava depois, mais o resultado estava sendo o oposto daquele que imaginara, pois acontecia diante de meus olhos um culto com muito fogo, palavra e poder de Deus. Fiquei satisfeito, alma lavada, o que eu acreditava ser um grande fracasso redundou em uma grande vitória. Quando me convidaram para participar da reunião de obreiros na sede daquela igreja Assembléia de Deus, aceitei. Aliás, quando fico embriagado com a glória de Deus, topo qualquer coisa.

Na reunião, estava acompanhado do Pastor Adalton (Pastor da cidade de São José dos Campos), irmão de fé e grande amigo. Em certo momento o Pastor Presidente (Benício) me reconheceu da pregação do dia anterior, me apresentou a todos os pastores presentes, avalizou a mensagem pregada na noite anterior, incentivando aqueles que estivessem interessados em trazer um pregador para ministrar nas festas de sua comunidade. Foi uma repercussão incrível, recebi tantos convites que enchi uma agenda de praticamente um ano sem folgas. Saí daquela reunião bastante preocupada, pois a proporção de trabalho criado em um só dia foi tanta, que não me sentia capaz de realizar.

Realmente minha preocupação tinha fundamento. Preguei desesperadamente um ano inteiro, subindo a Serra do Mar todos os fins de semana em direção à cidade vizinha de São José dos Campos. Fiquei doente no decorrer do período. Fui repreendido por minha esposa, por ter de viajar todos os fins de semana e ainda por cima tive problemas com minha liderança local, por não ficar nenhum fim de semana em meu próprio local de trabalho. Minha ingenuidade foi tanta que nem ao menos para a família tinha deixado espaço, quanto mais para a igreja local. Todos reclamaram com razão e mesmo assim cumpri a agenda até o fim.

Aprender a organizar uma agenda de forma a contemporizar todos os ângulos da questão de trabalho, família, igreja local e até mesmo um recreio pessoal teria que ser meu objetivo a partir daquele momento e realmente a partir dali comecei a planejar e executar meu trabalho de forma mais organizada. Conversei seriamente com Jesus a respeito (devido ao concerto estabelecido desde o princípio) e passei a desenvolver uma agenda que resolvesse problemas dessa natureza.

Agora também meu espaço de trabalho havia se ampliado, fui trabalhando e ficando conhecido não só em minha cidade, mas em todo o litoral norte do estado de São Paulo e também nas regiões do Vale do Paraíba[1].  Com a ampliação do espaço, houve também a ampliação do volume de trabalho e nestes trinta anos levando o evangelho de Cristo, nunca faltou oportunidade de cumprir minha parte do acordo estabelecido no momento de minha conversão. Com certeza as promessas feitas por Deus iam mais longe e nem tudo o que foi prometido se cumpriu até o presente momento.

Hoje minha agenda é distribuída de forma a atender todos os ângulos de minha vida profissional (pois não vivo do evangelho), religiosa, familiar e pessoal e acredito poder cumprir minha parte do acordo com determinação e bons resultados até o momento que o Senhor Jesus Cristo decidir que está concluída minha parte e encerrar com chave de ouro, aguardando até mesmo algum tipo de galardão conforme as promessas bíblicas.



[1] Curiosamente em alguns lugares me conhecem por apelido, irmão Tico, em outros lugares Evangelista João Teófilo, e em outros Evangelista João Xavier.